Meninos do Tráfico - Na ausência da família, o herói é o bandido

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Na periferia de Rio Branco, um contingente infanto-juvenil engrossa, todos os dias, as fileiras do crime, movido pelo tráfico de drogas. A fragilidade da família gera um câncer no seio da sociedade que só cresce com o constante aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado.

Felizmente, de dentro do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) um grupo de socorristas surge para auxiliar os que ainda têm esperança de serem salvos, oferecendo a graça da redução a danos físicos, mentais e sociais causados pela droga nesses indivíduos. Trata-se do Natera.

 

‘SE A FAMÍLIA NÃO ENSINA, O MUNDO VIRA ESCOLA’

 

A vendedora de salgados F. D. S. sempre trabalhou para manter o lar, na baixada da Sobral. E esse fardo era mais pesado por causa do marido alcoólatra, que nunca a ajudou na criação dos filhos. Não imaginava que mais tarde teria o coração dilacerado com a notícia do aliciamento do filho, de 13 anos, por uma facção criminosa. 

Tomou conhecimento de que o menino, a quem chamaremos de André, tornou-se dependente químico aos 12. Mas não imaginava quão próximo ele estava dos bandidos, muito menos que a fúria do tráfico se levantaria contra a sua família. 

André não ia mais à escola e se rebelava com facilidade. Alimentava o vício à custa de arrombamentos a patrimônios alheios. Os furtos, deixava na bocada.

E a ficha da mãe só caiu quando ele pulou o muro de casa fugindo de peia. Naquele dia, estava fadado a selar o próprio destino, e de quase todo usuário de drogas pobre: ter o rosto cravejado de balas.

Mas André teve sorte porque, dessa vez, a bronca era por ter arrombado uma casa. Nem por isso escapou de chutes no traseiro, socos nas costas e pontapés na cabeça que o fizeram desmaiar, mesmo diante das súplicas da mãe para que parassem.

“Se a família não ensina, o mundo vira escola”, ouviu dos indivíduos, a mãe. E as palavras martelaram a sua consciência.

O menino tornara-se fantoche da droga. Dois meses depois, já fora da escola, entrou para um grupo criminoso. E gabava-se de trabalhar diretamente com o chefe da boca, pois já não precisava roubar para consumir. Aceitou trabalho de ‘aviãozinho’ em troca de duas ou três trouxinhas de melado de cocaína por dia

Achava que era fácil. Era só fazer direitinho e nada lhe aconteceria. Pela proximidade com o líder, não era um qualquer. Entregava droga em casas longe da boca e também transportava dinheiro a outros mandatários do horror.

Por seus préstimos, continuava recebendo algumas trouxas de merla, a borra de coca – que contém de 40% a 70% da cocaína pura, e que geralmente é misturada a um cigarro comum, ou de maconha, antes de ser consumida.

Mas algo mudou drasticamente quando repassou dinheiro a pessoa errada. Assinara sua sentença de morte ao despachar grana da organização a um desconhecido. O patrão não acreditou na história. O menino pagaria com a vida os R$ 450 do calote que tomou, mas jamais imaginava que no ‘pacote da desgraça’ estava incluído a mãe e o pai ébrio.

A angústia o fez ter pressa a contar o plano de morte à mãe. Chegou atrasado. Dez minutos antes, a dona de casa recebia o telefonema agourento.

Dizia o indivíduo do outro lado da linha: “A senhora tem condições de comprar três caixões: um para o seu filho, um para você e outro para o seu marido?” Ela desligou antes do bandido terminar de falar, mas aquilo já era o bastante para atormentar sua cabeça.

André desapareceu dos criminosos. A mãe, não. Era digna demais para fugir sem dever. Pensou em ir se entender com o bando. Acabou optando por procurar a polícia. Enganou-se, ao esbarrar em gesto tão perverso quanto os atos deliberados dos criminosos. Teve a sua dor ignorada pela autoridade policial. Na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, ouviu que o caso do filho era para Conselho Tutelar.

E no Conselho, houve deboche: “Não temos nada a fazer. Por que a senhora não pede ao delegado pra levar seu filho pra casa? O delegado pode adotar o André”.

O tom jocoso do conselheiro só não foi pior do que o que fez o delegado, dias depois de a família ser amparada pelo Natera. O inquérito policial, que tramitava em segredo de justiça foi vazado para os advogados dos criminosos. Todo o conteúdo, inclusive as ameaças de morte, fora repassado com detalhes aos bandidos pelo delegado titular.

E foi aí que a mãe culpou-se. O remorso era de ter se descuidado da sua cria. Recordou-se do dia em que o menino teve um sonho. Ele contou-lhe que estava feliz porque se via adulto como bombeiro militar. Por isso, para a mãe, perturbava a ideia de que um dia visse seu menino num caixão, porque um dia não conseguiu criá-lo a ponto de fazê-lo homem de bem.

André teve seus sonhos ceifados temporariamente. O Natera o encontrou; hoje, ele voltou a estudar, mas ainda se recupera das drogas

O relato acima é real. Tem como base os depoimentos em vídeo gravados pelo Ministério Público do Estado do Acre, (MPAC), por uma família que até pouco tempo era perseguida por membros de uma facção criminosa que atua na baixada da Sobral.

Hoje, André e a mãe vivem sob a proteção do Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera, cuja equipe é chefiada pela procuradora Patrícia Rego.

Eles foram resgatados pelos profissionais do MPAC numa tarde do segundo semestre de 2016.

Levados para abrigos públicos, seguem hoje em paz, em outra região da cidade. André voltou a estudar – embora ainda passe por tratamento para largar a dependência química –, e a mãe arranjou trabalho em casa de família.

“Hoje me sinto como se tivesse cometido um crime. É ruim viver no anonimato, sem minha casa anterior e sem meus amigos antigos. Até pouco tempo, a sensação era de que eu estava devendo alguma coisa. Mas vou me acostumando com minha nova morada”, diz a dona de casa em depoimentos dos quais OPINIÃO teve acesso com exclusividade.

 

É PRECISO CONSTRUIR UMA REDE DE PROTEÇÃO CONSISTENTE

 

Procuradora Patrícia Rego à frente do Natera: experiência no combate ao crime organizado a credencia no Núcleo Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera

 “Os moradores da periferia de Rio Branco são as maiores vítimas da violação de seus direitos” segundo afirma a procuradora Patrícia Rego, com a propriedade de quem combateu no front um ranço que por muitos anos assombrou boa parte da sociedade acreana: o terrível ‘esquadrão da morte’ do final da década de 1980. 

Quando ainda promotora de Justiça – hoje coordenadora do Natera –, as ações de Rego contribuíram essencialmente para que o MPAC decretasse a derrocada do grupo de extermínio, supostamente liderado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal.

Hoje, os tempos são outros. E para a procuradora, o trabalhador de baixa renda é o grande prejudicado pela subjugação de criminosos instalados em bairros em franca expansão populacional.

A reportagem constatou que no Acre, há um modelo representativo, embora ainda em menor escala, do tráfico das grandes cidades do sul e do sudeste do país.

São bairros controlados por lideranças criminosas que se alastram, não só na capital, mas também em municípios em regime de franca expansão desordenada como Epitaciolândia, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul. O tráfico se assenta nesses bolsões de miséria sob a tutela de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, indiferente ao poder estatal.

Facção Bonde dos 13 deixa sua marca na região do bairro Tancredo Neves, próximo ao Caladinho;  local é uma das regiões de franca expansão do crime

A fragilidade das leis aliada à letargia das instituições de Segurança Pública no combate ao crime de tráfico fez surgir um novo tipo de população, a que aprendeu a conviver com a subjugação dos criminosos. Ela é mais tolerante às atrocidades impostas pelas organizações criminosas, justamente por não ter quase nenhuma alternativa.

A falta de uma rede de proteção social consistente, que seja construída pela sociedade civil e pelo Poder Público, torna o crime mais forte nessas regiões periféricas.

E os operadores do Natera sabem que é preciso coordenar práticas em favor dos atingidos pela dependência química, e também por seus familiares, estes últimos, quase sempre afetados indiretamente.

Quando o estado sai de cena, o crime toma espaço, com consequências nefastas, sobretudo para crianças e adolescentes.

 

JOÃO NUNCA TOMOU UM CAFÉ DE MÃE

 

João se diz adotado pelo crime; queixa-se de não ter o apoio da mãe e de nunca ter tido pai, João não tem pai. Só mãe. E quase não fita direto nos olhos das pessoas. Alivia a timidez enfiando a cabeça num boné largo de aba para trás, como os rappers americanos. Usa unhas grandes, cada uma pintada de uma cor e sonha em ter grossos cordões dependurados no peito como os cantores de funk ostentação.

A banda Racionais soa como sinfonia aos ouvidos, e conhece todas as gírias dos presídios. Revolta-se ao ser advertido pelo inspetor de que deve colocar o chapelão dentro da mochila ao cruzar o portão da escola. Apesar dos 14 anos, parece ter 40 em malandragem. A esperteza devorou rápido a inocência e o tornou ‘escovado’, escabreado com tudo o que se move ao seu redor.

João não tem pai porque é filho da rua. Nunca soube o que é ter um porque foi gerado de mãe solteira. E deixou de ser órfão no dia que foi adotado pelo anti-herói, o dono de uma boca do tráfico, no qual encontra hoje sob a sua proteção, a relativa paz.

Na periferia, é difícil traçar uma linha separando o vilão do mocinho. O bandido, por incrível que pareça, também pratica atos moralmente aprováveis sob o pretexto de que falta emprego para seus recrutados. Por isso, trabalhar despachando trouxinhas de borra de cocaína é a coisa mais natural neste submundo tão diversificado como costuma ser o do tráfico.

Se não teve pai, pouco importaria se não tivesse mãe, porque João queixa-se que ela nunca fez um café da manhã para ele. Que nunca o perguntou se estava com fome. E pouco importava se dissesse que estava, porque por isso receberia, no mínimo, um grito de “te vira”.

Para João, o tráfico não é necessariamente um ambiente insalubre porque ele simplesmente não conheceu outro melhor. Nasceu dentro da malandragem, disseminada nos quatro cantos do bairro. Aprendeu a admirar ‘façanhas’ como arrancar a cabeça do adversário e postagem em seguida das imagens da agonia alheia no WhatsApp. Para João, não há futuro. A percepção de que será morto se largar o serviço sujo o deixa em alerta, mas não o amedronta.

E as suas declarações pessimistas são a seguinte: “A morte mais rápida é o destino certo de todos os mano que se atreve (sic) a sair de onde me meti. E não vem com papo furado que devo deixar, tá ligado? Porque aqui não tem vida fácil, mas é a única que nós têm (sic)”.

Operação do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar contra facções na periferia de Rio Branco; crianças e adolescentes convivem com criminosos e as ações policiais

 

MAIORIA DOS DEPENDENTES NÃO TEM ANTECEDENTES

 

Casa da Cidadania, onde as famílias e seus dependentes químicos são ouvidos e encaminhados a tratamento; Aqui, funciona o Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera, do Ministério Público do Estado do Acre

Os números do Natera mostram que em 2016, o maior pedido de auxílio para largar as drogas foi para indivíduos na faixa etária dos 16 aos 24 anos (33%), onde se inserem os estudantes, seguidos dos de 25 a 35 anos (27%).

Além disso, 62% não respondiam a nenhum processo penal, o que por si só é algo animador, já que as chances de recuperação aumentam significativamente, em razão de não terem antecedentes criminais.

Crianças da rede pública de ensino em atividade de conscientização sobre as drogas, em Rio Branco; ideia é alertar para o problema desde cedo

 

PARA TODO PEDIDO DE SOCORRO, UMA EQUIPE PRONTA A SOCORRER

 

Mas se a desesperança tomou de conta de muitos, o contrário também vale para quem procura por socorro. Na Casa da Cidadania, onde funciona o Natera, uma equipe de especialistas formada por psicólogos e assistentes de diversas áreas faz do órgão o centro-nervoso para soluções de amparo às vítimas das drogas e também às suas famílias.

A dependência química é reconhecida como doença pelo Sistema Único de Saúde e merece a atenção como qualquer outra enfermidade na rede pública.

Mas na prática, quem sofre dela, ainda encontra dificuldade no atendimento primário, seja por preconceito, seja pela desinformação dos próprios trabalhadores em saúde. É aí que entra o Ministério Público.

Explica a coordenadora administrativa, Josenira Oliveira, que quando há um doente por conta da dependência química, a família adoece com ele. Portanto, o que faz o MPAC, por meio do Natera, não é apenas cobrar um atendimento célere, mas possibilitar também a integração dos órgãos no auxílio às vítimas.

“O que fazemos é coordenar o socorro, oferecer apoio presencial às famílias e amenizar ou mesmo eliminar o sofrimento que a droga causa ao dependente e a seus familiares”, explica Oliveira.

Na prática, órgãos como o Centro de Atendimento Psicossocial, o CAPS, da Secretaria de Saúde, recomendam famílias ou dependentes a procuraram o Natera.

Ali, a equipe do Núcleo ouve as pessoas com problemas e imediatamente aciona outras instituições, se for o caso, entre elas os abrigos especiais de passagem. E até cartórios, se preciso, são consultados, quando é o caso em que o dependente químico é originário das ruas e não tem documentos pessoais.

Nesse último caso, além da Unidade de Acolhimento, que é um abrigo gerenciado pelo governo do estado na zona rural de Rio Branco, outras 13 residências terapêuticas recebem pacientes recomendados pelo Natera.

O que é curioso é que as ações coordenadas desde o Núcleo do MP valem até para os casos em que a vítima precisa do socorro do Samu, quando em convulsões graves, por exemplo, e que precisam da internação na Unidade de Acolhimento.

Outro fator importante é a participação maciça da família. Os dados de 2016 mostram que em 83% dos casos de dependentes atendidos pelo Núcleo, a família foi quem procurou ajuda. Apenas 3% deles procuraram espontaneamente. Sabe-se também que o Disque 100 é pouco conhecido ou ignorado, já que somente 1% recorreu a esse sistema. 

“Trata-se de um serviço de grande demanda, mas estamos preparados para isso”, garante Bruna Oliveira, psicóloga do Natera. A especialista cita as palestras e os jogos educativos nas escolas como essenciais para a prevenção.

“Nestas atividades também é possível detectar quais crianças e adolescentes estão usando entorpecentes”, explica a profissional.

Esse trabalho é feito nas edições do ‘MP na Comunidade’, programa que leva os serviços do Ministério Público aos bairros da capital e também para o interior do Acre.

O Núcleo do MP acreano é hoje um dos grandes debatedores da Reforma Psiquiátrica. Desde a promulgação da Lei 10.216, de 2001, a Lei Paulo Delgado, os estados brasileiros deveriam começar a transferir o foco do tratamento de doenças mentais, inclusive as causadas pelas drogas, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

Por isso, o Hospital de Sanidade Mental do Acre, o Hosmac, deverá um dia fechar suas portas em detrimento do novo modelo. Mas muito já foi feito no Acre para que essa transição seja da melhor maneira possível.

O que é o Natera? 

O Natera foi criado pelo Ato 72 de 2 de junho de 2014, da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Acre e instituído pela Lei Complementar 291, de 29 de dezembro de 2014.

Tem como objetivo a adoção de estratégias de prevenção ao consumo, de permitir o tratamento adequado a dependentes e usuários de drogas, a orientação aos familiares e àquelas pessoas atingidas pelo problema da dependência química e ainda é voltado também para os usuários de drogas relacionados ao sistema prisional.

O Núcleo do MP acreano é hoje um dos grandes debatedores da Reforma Psiquiátrica. Desde a promulgação da Lei 10.216, de 2001, a Lei Paulo Delgado, os estados brasileiros deveriam começar a transferir o foco do tratamento de doenças mentais, inclusive as causadas pelas drogas, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

Por isso, o Hospital de Sanidade Mental do Acre, o Hosmac, deverá um dia fechar suas portas em detrimento do novo modelo. Mas muito já foi feito no Acre para que essa transição seja da melhor maneira possível.

 

A ARTE DÁ O TOM PARA QUEM RESISTE AO CRIME

 

Grafites em muro da escola Heloísa Mourão Marques, na ladeira do Bola Preta; conscientização por uma cultura de paz é o mote dos artistas jovens. No Acre, coletivos culturais ganham espaços nas mídias alternativas, por meio de ferramentas eficientes de alerta a jovens que ignoram o risco das drogas.

Garotos como o estudante Alessandro Santos, do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades, uma divisão da Educação estadual que desenvolve e estimula jovens com superdotação mental, fazem a diferença quando o assunto é comunicar. Suas poesias são sempre carregadas de avisos contra as mazelas da realidade das ruas. É um alerta para jovens descuidados com tudo ao seu redor. (Leia abaixo o poema ‘Torre de Babel’).

No hip-hop, destaca-se o grupo Cobras Dance, liderado pelo cantor Samy Hemerson de Andrade, cujo nome artístico é Samy Ron. Com os amigos Neto e Delcimar, Samy costuma levar para o jovem da periferia, mensagens antiviolências e de cunho filosófico-comportamental, de modo a influenciar positivamente comunidades inteiras.

“Uma das abordagens mais claras é a de que o crime não compensa, que não é bom estar preso, e que a paz sempre deve prevalecer para que possamos seguir vivendo. A morte não nos interessa e como ela é o salário do pecado, recorremos a letras que mostram esta realidade”, explica Samy Ron.

A ideia é mostrar que o estilo ‘moleque doido’ não leva a nada porque, segundo a ideia do hip-hop, “tudo que vem fácil, vai igualmente fácil”.

E essa cultura de paz, não é só disseminada nos shows da banda em casas noturnas e em eventos culturais abertos, como também nas chamadas ‘rimas’, duelos em versos que são promovidos em tardes de sol em locais como o conjunto Tucumã, ou na Concha Acústica do Parque da Maternidade. 

 

TORRE DE BABEL

 

Por Alessandro Santos

 

Desprezo é o que sentem

De antigos ensinamentos

Anciãos ignorados

Com o passar do tempo

 

Esquecidos, sem valor emocional, se é que tem

Ódio gratuito a só quem faz o bem

Jovens estudam a vida

Onde se apresentam de forma errada

 

Viver muito e morrer cedo

Uma realidade violentada

Esquinas condicionam o mercado

 

Vendas de corpos vazios

Marcados são objetos

De sangue quente

E coração frio

 

De passar ciclos e vícios

Permanecem na lembrança

Quando um nasce

A cova aguarda

O transgênico sem mudança

 

 

REPORTAGEM - RESLEY SAAB 

FOTOGRAFIA - JUAN DIAZ

 

 

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